“O esporte como instrumento de ação social”

OBSERVATÓRIO - 18:06:29
“O esporte como instrumento de ação social”

A Associação de Desenvolvimento Esportivo Bola Viva de Fernandópolis, que é reconhecida pela sigla ADECBV/EELAS/SMEL, realizou uma façanha no último final de semana, quando conquistou em Franca no Ginásio Pedrocão, conhecido como templo do basquete, por onde desfilaram e desfilam grandes craques. Sagrou-se campeã ao vencer no triangular da FPB – Federação Paulista de Basquetebol -, as equipes do Nosso Clube de Limeira, a Recreativa de Ribeirão Preto e no jogo final o time da casa, a Aspa de Franca. No comando da equipe, o técnico Odivaldo de Assumpção, 53 anos, conhecido como Mão, que também é fundador da APAB – Associação de Pais e Amigos do Basquetebol. “Essa conquista é resultado de um trabalho que está sendo feito desde 2013 em Fernandópolis e que começou dentro de um projeto social da Prefeitura. Então a gente vê como o poder público é importante instrumento de ação social através do esporte”, diz o técnico Mão, que lembra que o marco inicial foi com o Projeto Cesta Nova Dez.  A ADECBV sobrevive do trabalho colaborativo de pais e parceiros, como os demais projetos de entidades pela cidade. “Nós vivemos garimpando, buscando dinheiro, vendendo camisetas, adesivos, fazendo pizza, cachorro quente para levantar recursos para as viagens e bancar as arbitragens”, lembra o treinador que cobra mais apoio. Neste fim de semana, a equipe sub-15, da Associação Bola Viva pode alcançar o mesmo feito (leia na página 6-B). O treinador durão dos treinos, que exige o máximo dos atletas, não controlou as lágrimas ao falar dos sonhos e do quanto o esporte contribui para forjar o caráter dos meninos. “Tem que colocar coração e razão e fazer a coisa com muita dedicação para se realizar um sonho”, diz nesta entrevista:
 
Fernandópolis chegou à final do interior de basquetebol sub-14, numa disputa em Franca, a capital do basquete. Como foi essa façanha?
Esse final de semana foi muito importante. Tivemos a oportunidade de jogar em Franca, no templo do basquete, que é Ginásio Pedrocão, e tirar deles (Franca) uma vaga na final estadual do interior do campeonato sub-14 da Federação Paulista de Basquetebol. Isso para nós, na categoria, é inédito. Ficamos muito feliz de ver a equipe jogando com esse afinco. Isso é resultado de um trabalho que está sendo feito desde 2013 em Fernandópolis e que começou dentro de um projeto social da Prefeitura. Então a gente vê como o poder público é importante como instrumento de ação social através do esporte. Hoje, por exemplo, temos outro projeto social chamado PELC – Programa de Esporte e Lazer da Cidade – que busca envolver todas as idades em atividades de esporte e lazer.
Em Franca, no final de semana, Fernandópolis enfrentou grandes equipes?
Só clube grande. Lá enfrentamos e vencemos, além da equipe da Aspa de Franca, com toda a pressão da torcida, as equipes do Nosso Clube de Limeira e da Recreativa de Ribeirão Preto. A primeira partida contra o Nosso Clube de Limeira foi muito difícil. Vencemos com um ponto de diferença (57 a 56). No jogo contra a Recreativa de Ribeirão, a equipe estava focada e vencemos com 42 pontos de diferença. No jogo final contra Aspa, o primeiro tempo ficou muito apertado, 2 pontos de diferença. Nos dois últimos quartos conseguimos abrir. Optamos por não ir para o vestiário e ficamos na quadra treinando arremesso e lance livre. E deu certo. Agora aguardamos as datas para a final do interior, que deve ocorrer em novembro, onde vamos enfrentar equipes de Rio Claro, Piracicaba e do Sesi de Franca (Franca tinha três equipes). O campeão vai para a final estadual que está programada para dezembro.
Como surgiu essa Associação de Desenvolvimento Esportivo Bola Viva de Fernandópolis?
Começamos esse trabalho com o projeto Cesta Nota Dez. Começamos na Etec, CPP, EELAS e Saturnino. Depois tiramos da Etec e levamos para o Cáfaro por um tempo e depois no JAP. A EELAS sempre ficou nesse projeto e hoje, devido a limitação de horário, estamos só nessa escola. Hoje trabalhamos com equipes do sub-11, sub-12, sub-13, sub-14 e sub-15 no masculino. No feminino estamos com o sub-11 e sub-14. É bom lembrar que no basquete nós temos também excelentes trabalhos que estão sendo desenvolvidos pelo Paulão e Diguinho na APAB.
E como a associação se mantém?
Nos mantemos através de doações. Os pais fazem doações. Hoje temos 15 pais doadores e quando vamos viajar fazemos pedidos para amigos, a prefeitura tem nos ajudado bastante no transporte dos atletas, nestes últimos meses com a chegada do Humberto Cáfaro na Secretaria de Esportes. E fazemos promoções, pizza, cachorro quente, venda de camiseta, tudo para buscar recursos para tocar o projeto. Agora como associação está completando três anos, poderemos pleitear a declaração de utilidade pública e buscar outros benefícios pela lei de incentivo ao esporte, a lei de incentivo fiscal federal e estadual. Estamos com os projetos prontos e vamos colocar em prática a partir do ano que vem.
Hoje a associação trabalha com quantos meninos e meninas?
Em todas as categorias estamos com 80 crianças, mas já chegamos a ter 120, 180 crianças quando estávamos com todos os núcleos funcionando. Como iniciamos nossa atividade no PELC, diminuímos os horários. Trabalhamos com as crianças na quadra da EELAS, numa parceria com a escola. As aulas começam as 18 horas e se estendem até 20 horas.
Quando o basquete entrou na sua vida?
Em Fernandópolis, comecei com uma escolinha de basquetebol da prefeitura de 1984 até 1989. A equipe chegou a ser campeã estadual no Ibirapuera. Ai fundamos a APAB – Associação de Pais e Amigos do Basquetebol – em 1990 e fiquei ali até 1994, quando fui para Ribeirão Preto, fiquei lá por 12 anos e retornei para Fernandópolis e iniciamos esse trabalho com a associação para que o projeto Cesta Nota Dez andasse. Como atleta, o maior tempo que joguei foi no América de Rio Preto por quatro anos. Antes, quando meu pai faleceu, fui para São Paulo e fiquei um tempo no Palmeiras e retornei para Fernandópolis. 
O apelido de Mão surgiu quando?
Mão é porque tenho uma mão boa para arremessos. Mas, na verdade foi quando quebrei o braço. Ganhei esse apelido aos 11 anos.
Qual a diferença de estrutura entre a Associação Bola Viva e as equipes que você está enfrentando nestas semifinais do sub-14 e sub-15?
Nós vivemos garimpando, buscando dinheiro, vendendo camisetas, adesivos, fazendo pizza, cachorro quente para levantar recursos para as viagens e bancar as arbitragens. Eles não. Veja que no domingo, a equipe da Aspa tinha no banco três técnicos, massagista, fisioterapeuta, toda uma estrutura de apoio. Nós aqui, o pai é que é o fisioterapeuta, o Daniel, que abre a porta para tratar dos meninos, um professor que propõe a ir lá dar uma aula de funcional. É totalmente diferente. São trabalhos colaborativos. São João da Boa Vista, pra quem não sabe, está disputando o basquetebol da NBB e tem uma Faculdade por trás. Fernandópolis tem tudo para ter. Não entendi ainda porque não pode ter isso aqui. 
Qual o sonho que te move para manter esse trabalho no basquetebol?
O sonho é ver esses meninos bem (já emocionado), dar estrutura para eles terem condições de buscar o melhor como é o sonho deles (voz embargada). Eu costumo dizer a eles, que a gente precisa colocar primeiramente o coração, depois a razão e fazer a coisa com muita dedicação. Precisamos agregar mais pais, mais pessoas no projeto. Algumas pessoas até criticam de vez em quando, dizendo que sonhar é fácil, mas precisamos dar condições para esses meninos e meninas poderem realizar seus sonhos. O Eduardo Sá (destaque em Franca), é um exemplo de um menino que sonha alto, que se dedica. Hoje ele tem uma bolsa de estudo de inglês de um parceiro da cidade, porque já está se preparando para o sonho dele de chegar a NBA. Tem que estar preparado para quando a oportunidade chegar. No campeonato sul-americano, o Eduardo conseguiu conquistar o dono de uma faculdade. Ele e mais 12 meninos de Avaré, têm bolsas de estudos de qualquer curso que queiram fazer na Faculdade de Avaré. Isso é gratificante e emociona. No nosso trabalho, da associação, o Cabral (Carlos Cabral ex-diretor da EELAS) abriu as portas da escola. Hoje é o Abdiel Branco que nos dá o apoio. Eles abraçaram o projeto e isso é muito importante para a escola. Por isso quero deixar uma mensagem para os pais e mães de Fernandópolis. Nós temos o projeto do PELC, com várias modalidades esportivas, que dão a iniciação para a criança. Tem profissionais envolvidos nesses projetos. São cinco núcleos em Fernandópolis com natação, basquetebol, vôlei, futebol, futsal, capoeira, ginástica, karatê, tudo gratuito. O prefeito Pessuto, o secretário Humberto Cáfaro, o André Campos, estão de parabéns, porque tiraram esse projeto que estava engavetado e colocaram em prática. São crianças, adultos e idosos envolvidos. Eu falo isso para as famílias, coloque seu filho em uma das escolas esportivas na cidade para agregar valor na formação dessa criança. 

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