Fernandópolis já tem quase um celular por habitante; telefone fixo em queda

CADERNO VIVA - 18:44:41
Fernandópolis já tem quase um celular por habitante; telefone fixo em queda

O telefone fixo automático em Fernandópolis chegou em 1978 e provocou uma revolução na forma de comunicação. Era símbolo de status social e chegou até mesmo a ser item obrigatório na declaração do Imposto de Renda. Agora pode estar com os dias contados nas casas dos brasileiros. 

De acordo com operadoras de telefonia e governo, a expectativa é que em 2021 o aparelho já tenha praticamente desaparecido dos lares. A estimativa é feita com base na tendência de queda no número de linhas residenciais em uso no país. Seu uso deve ficar restrito a empresas. 
Essa paixão pelo telefone fixo durou pouco tempo em Fernandópolis. Quarenta e dois anos depois de sua chegada triunfal com direito a presença de Ministro de Estado na inauguração em 1978, as famílias estão aposentando o “quarentão”. Culpa das novas tecnologias. 
Mas, o telefone fixo viveu seu tempo de glamour. Os mais antigos lembram o quanto era caro ter uma linha. Tanto que para realizar esse sonho, muitos fernandopolenses recorreram a consórcios informais que se formaram na cidade. A manutenção também era cara. Era comum ter até cadeado para controlar o uso do telefone.
Em Fernandópolis, segundo a Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações o número de linhas telefônicas fixas caiu de 16.200 em novembro de 2007, para 10.600 em novembro de 2019, última atualização feita. Queda de 34%.  Somente nos primeiros nove meses do ano passado, 2,2 mil linhas deixaram de existir na cidade.
Fernandópolis é um recorte de uma tendência nacional. No Brasil, conforme a Anatel, cerca de 3 milhões de linhas são desligadas anualmente.
Em contrapartida, a telefonia móvel, o popular telefone celular, já está nas mãos de praticamente todos os fernandopolenses. Números da Anatel apontam que hoje a cidade tem 62,7 mil linhas móveis. A população, segundo a última atualização do IBGE é de 69.116 habitantes. Esse dado da telefonia móvel está sendo disponibilizado pela Anatel desde janeiro de 2019. 
Outros números disponibilizados pela Anatel com informações das próprias prestadoras mostram a situação dos acessos de assinantes em Fernandópolis em outros serviços. Segundo os dados de novembro de 2019, Fernandópolis tem 13 mil acessos de assinantes na Banda Larga Fixa e 4,9 mil de TV por Assinatura. 


ORELHÕES

Reportagem do CIDADÃO em novembro do ano passado mostrou outro ícone da comunicação em fase de aposentadoria. Dezenas de “orelhões” empilhados na garagem do prédio da Vivo em Fernandópolis. Eles eram quase 300 aparelhos espalhados pela cidade e hoje, são apenas cinco aparelhos no centro da cidade que resistem ao tempo e ao abandono dos usuários. Com a chegada do telefone celular, nas mãos de praticamente todos os fernandopolenses, eles se tornaram obsoletos. Tem jovem que não sabe nem como usar o aparelho. 
“Com as novas tecnologias de comunicação, em especial o massivo uso serviço móvel e a crescente demanda por uso de dados e expansão da rede 4G, a utilização dos orelhões está em acentuado declínio. No primeiro semestre de 2019, os telefones de uso público do Estado de São Paulo tiveram, em média, utilização de 1 crédito a cada 3 dias, sendo que mais da metade não teve utilização alguma. Dessa pequena parte da base ainda utilizada, quando comparamos os 6 primeiros meses de 2019 com o mesmo período de 2018, este uso caiu mais 40%”, explicou a Vivo em nota ao CIDADÃO. 
Criado em 1971 pela arquiteta brasileira Chu Ming Silveira a partir do formato de um ovo, o projeto ganhou vida. Vida curta. O “cinquentão” já está desaparecendo do cenário urbano para virar peça de museu. 

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