Peça do meteorito marciano passa a integrar acervo que já reúne fragmento da Lua, meteoritos do cinturão de asteroides e trinitita do primeiro teste nuclear da história
Um fragmento autêntico de Marte passa a integrar, a partir desta terça-feira, 12 de maio, o acervo científico do Museu de Paleontologia de Fernandópolis, ampliando de forma significativa o alcance científico e educativo da instituição.
A nova peça é uma amostra do meteorito Tarkint 001, uma rocha extremamente rara proveniente do planeta vermelho.
“O precioso fragmento irá se juntar à brecha lunar — um fragmento de rocha da Lua —, aos meteoritos provenientes do cinturão de asteroides localizado entre os planetas Marte e Júpiter e à trinitita, material vítreo formado no primeiro teste de bomba atômica realizado pelos Estados Unidos no deserto do Novo México, em 16 de julho de 1945, todos já depositados no acervo permanente do museu”, destaca o curador voluntário do Museu, Carlos Eduardo Maia de Oliveira, o “Professor Cadu”.
Classificado como um shergottito, o meteorito marciano possui origem vulcânica e é composto por minerais como olivina e piroxênio, que preservam registros microscópicos da dinâmica geológica interna de Marte.
A trajetória dessa rocha impressiona: ela foi ejetada da superfície marciana após um grande impacto, viajou pelo espaço durante milhões de anos e, posteriormente, alcançou a Terra. Agora, o público terá a rara oportunidade de observar diretamente um fragmento desse processo cósmico — algo incomum até mesmo em instituições internacionais.
O meteorito Tarkint 001 foi encontrado em 2025, na região de Tarkint, no Mali, África Ocidental, com massa total estimada em aproximadamente dois quilos, sendo posteriormente classificado oficialmente pela comunidade científica. Entre os milhares de meteoritos conhecidos no planeta, apenas uma pequena parcela possui origem marciana confirmada, o que confere à peça elevado valor científico.
Com a chegada do novo fragmento, o museu passa a reunir um conjunto singular de materiais relacionados ao espaço sideral e à história do universo. Além da rocha marciana, o público poderá observar meteoritos oriundos do cinturão de asteroides, um fragmento real da Lua e a trinitita, diretamente ligada à história da era nuclear.
A presença desse conjunto proporciona uma experiência rara: o contato direto com diferentes formas de matéria que atravessam tanto a história da Terra quanto a do cosmos. Entre os itens do acervo, o fragmento lunar já desperta grande fascínio nos visitantes por sua forte ligação com o imaginário coletivo. A chegada da rocha marciana tende a ampliar ainda mais esse impacto.